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segunda-feira, 22 de abril de 2013


Cai...
Caem as gotas da chuva
enquanto dormes
E uma sombra incandescente
vela teu sono

Finda o dia
Tua alma sussurra
enquanto teu corpo padece
Tua consciência diz
“Calma”

Água
Fogo
Completando-se
Consumindo-se
Renovando-se
Esgotando-se
para enfim preencher

A roda está em movimento

O que farias
com o mundo nas mãos?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre as Nuvens


Lia olhava fixamente para o teto naquela madrugada de quarta-feira.  Havia acordado mais cedo que o normal, tivera um sonho estranho e muito bonito. No sonho ela estava cavalgando. Isso por si só não era estranho. Mas ela estava cavalgando no ar.  E o cavalo puxava um balão. No balão, um casal de bailarinos dançava.
Ela apreciava a cavalgada aérea, a paisagem, o vento, sentindo-se completamente livre e feliz. Por vezes olhava para trás para espiar os bailarinos dançando. E depois de certo tempo, à altura em que estavam, a dança era o que estava mais perto dela e era a única coisa que ela poderia observar com atenção. Então Lia decidiu virar-se de costas no cavalo e se deitar sobre ele, apoiando a cabeça em seu pescoço.
Era de se esperar que ela caísse com o balanço da cavalgada, estando deitada e sem nada para segurar firmemente, mas havia um equilíbrio surreal que a impedia de se preocupar com uma possível queda. E ela sempre confiara em cavalos, embora não ficasse tão solta a ponto de se deitar sobre eles enquanto eles correm.
Deitou-se sobre o cavalo como se deitasse sobre um divã, mas não se enganava, acariciava-o sorridente enquanto os observava. O casal dançava lindamente. Penduravam-se pelas bordas, giravam, moviam-se livremente, apesar do pouco espaço. E a dança estava cada vez mais bonita e mais intensa. Eles se olhavam fixamente e dançavam com paixão. Parecia que um só cérebro comandava aquela dança, tão sincronizado era o improviso. Mesmo quando fechavam os olhos.
Lia estava cada vez mais admirada e emocionada. Foram poucos os espetáculos que a fizeram devorar uma cena assim com tanta voracidade. Ela sentia que era uma parte dela que estava ali, e a queria de volta. Queria estar ali. Queria dançar com eles. Queria dançar como eles. Queria alcançar aquela flexibilidade que, somada à força, a permitiria fazer o que quisesse com o seu corpo. E poderia estar nas nuvens, estando onde estivesse.
Chegou um certo ponto em que os movimentos um do outro se completavam tão perfeitamente e seus corpos estavam de tal forma unidos que eles se transformaram, fundindo-se num só corpo. E este novo ser estava de pé, olhando fixamente para Lia, deixando-a sem ar.
Lia acordou, embora não quisesse. Não tinha sido um pesadelo. E ela queria conhecê-lo. Afinal, o que ele era? Ela queria saber se tinha doído transformar-se em um só.
Ela pensou na dança. “É assim que se deve dançar. Os bailarinos devem ter entrosamento. Para ser perfeito, eles devem dançar como se fossem um só.” Ela pensou, “Aliás, o amor também deveria ser assim.”
A essa hora o quarto estava sendo inundado por uma luz alaranjada. O sol estava nascendo. Lia decidiu que era um bom momento para sair e ver esse espetáculo. Sua cama não era a única que a chamava.
Lá fora ela tentou fazer com que a luz solar clareasse mais os seus pensamentos. Tentou se lembrar do rosto do bailarino, o resultado final. Era uma mistura, ela não sabia. Tentou se lembrar da cor dos olhos, que a fitaram com tanta intensidade. Não conseguiu.
Lembrou-se da cor dos cabelos. Eram pretos. Destacavam-se na claridade do céu, das nuvens, da pele. Eram também lisos e volumosos, indo até um pouco acima dos ombros. E, ironicamente, era a única coisa que via com clareza.
Olhando para o céu, ela se lembrou da sensação que era voar em cima de um cavalo. Curiosamente, ela não sonhou com um cavalo alado. “Cavalgar também é bom.”, pensou. E, como a terra era o que ela tinha no momento, resolveu visitar Roxy, a égua que tinha ganhado de sua avó em seu aniversário de 16 anos, e chama-la para uma cavalgada. Estavam juntas há quase dois anos agora.
Lia cumprimentou Roxy acariciando seu pescoço e dando-lhe um beijo no topo da cabeça, que a égua tinha abaixado para cumprimenta-la. “Vamos dar uma volta, minha pequena?”, Lia chamou, embora ela fosse pequena, e não a égua.
Enquanto preparava sua égua para a cavalgada, ela dizia “Tive um sonho lindo hoje, Roxy... Você nunca me deixou cair não é mesmo?”.
“É uma boa égua, mas você sempre cavalgou muito bem.” Lia se virou assustada pela voz. Ela achou que fosse a única com duas pernas ali naquele instante. E quando se virou, ela viu... Um par de olhos – obviamente acompanhados de um corpo, mas ela se fixou nos olhos – que olhavam bem dentro dos seus. E Lia pôde ver a cor deles, que oscilava entre azul e cinza. E ela se lembrou das nuvens, embora as do sonho estivem brancas, e lembrou-se do azul do céu, lá no alto...
Os cabelos não eram negros como os do bailarino (e também como os dela mesma). Aliás, ela sabia, nem era um bailarino que estava ali. Não era um bailarino, mas com certeza era alguém que poderia dançar com ela. Talvez não ali. Talvez não naquele momento. Mas seria fascinante. Como cavalgar sobre as nuvens.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Autor Mágico


Várias vezes, ao ler um livro, eu senti como se o autor pudesse me observar, ver as minhas reações ao ler suas palavras, saber o que eu sinto, o que eu penso. Era como se um pedacinho do autor estivesse em cada exemplar de seus livros, e ele pudesse nos observar, nos conhecer.  Seria uma troca justa, porque eu vejo um pouco dele, mas ele não vê nada de mim, simplesmente não me conhece. E muitas vezes eu gostaria que houvesse essa troca.
Isso só mudou quando eu li o livro publicado do meu ex-professor, Leôncio Benedito de Souza.  Às vezes, ao mudar de página, eu me deparava com a foto dele na orelha do livro, e me lembrava dessa sensação. E era muito estranho porque eu o conheço e ele me conhece. Quer dizer, ele existe, é real, ele é uma pessoa, assim como eu... mas com um livro publicado.
E eu pensava “Eu sei que ele não está me vendo. Não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Ele tem uma vida, e neste exato momento pode estar em qualquer lugar, longe daqui”

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sectumsempra

You got it. You made me wish to reward you for all my tears, with Sectumsempra. Do you know what it is? No, you don’t. I had never felt so vindictive. You arouse the worst in me. 
image
See this? You get me worse than that. It’s not my body. You hurt my soul, break my heart, stain my spiritCrucio is not enough for it. You have to bleed, like I cried, because of you.
I don’t know if I want you dead, or alive to torture for your sins. Because nothing is how it has to be. Everything is so wrong. I don’t belong you. And you don’t belong me.
But no, I don’t want you to die. You couldn’t have changed me at this level. I Just want our ways to separate FOREVER. I just want to look at you and only feel shame for the poor soul and hopeless life you have.
I’m not what you make of me. That’s the reason I suffer a lot. I’m an iceberg for you, but you don’t know well not even the top of the surface. You don’t know 1% of me.
You know what? You don’t have any clue of how many tears I shed. And you never will.

Ps: Eu escrevi esse texto em inglês de propósito. Revisei e escolhi as palavras com cuidado. E eu não vou traduzir, sinto muito.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para quem sabe o que é arte


É péssimo ter que ouvir "aquilo foi uma droga!" sobre algo que eu fiz de coração e me entreguei de corpo e alma por vontade própria. E ter de ouvir uma pessoa estúpida e abissalmente ignorante chamar minha arte de lixo...
Depois de todo esse tempo, tais comentários não me fazem mais querer chorar desesperadamente, gritar, bater - agora falo o menos possível e procuro manter a calma. No lugar disso, o que eu senti foi um profundo desprezo, misturado de alguma forma com pena e... nojo.
Mas eu encontrei uma saída. E sinto um prazer insano e vingativo em saber que não acabou - muito pelo contrário, está só no começo. Eu consegui escapar silenciosamente e, no entanto, continuo aqui, como se nada tivesse acontecido, como se tivesse me conformado... Essa é a melhor vingança.
Tamanha ignorância, repulsa, desrespeito e desprezo por algo que eu descobri ser tão maravilhoso só fizeram crescer o meu amor, e não matá-lo, apagá-lo, como obviamente era a intensão.
Eu descobri vida, descobri essência real e divina. E pode ser belo e ao mesmo tempo terrível, às vezes. Mas eu vejo e compreendo ambos. E amo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Você tem um confronto de duas pessoas totalmente diferentes, uma desmembrada, e que se tornou menos que humano, porque para mim, humano inclui a capacidade de amar, e ele deliberadamente se desumanizou... E essa outra pessoa cheia de falhas, vulnerável, e ainda assim continua lutando, continua amando, ainda se atrevendo a amar, se atrevendo a ter esperança."

J. K. Rowling

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sonho

Tenho apenas um sonho
Que alimenta minha alma
Ou que a devora.
O sonho de ser alimentada pelo amor,
E devorada pela paixão.
Paixão essa, ardente como o fogo
E o amor,
O amor suave e puro como o ar que eu respiro,
Com perfume de rosas ao meu redor
Rosas essas que você trouxe para me ver sorrir
Mas fico feliz apenas em ver seu rosto prto de mim
Ver seus olhos dentro dos meus
E, dentro desses olhos
Eu vejo meu sonho
O sonho que me faz viver.
Vejo em seus olhos
O amor e a paixão que,
Agora eu sei,
Sente por mim.
E agora eu realmente vivo
Vivo por ser amada por você.

Karoline A. Rocha

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tem gente que é moralista mas não tem moral pra isso. Cabeça fechada, quadrada. Mente estreita, limitada. Inexorável.
Certos hábitos e ideias mal-concebidas podem cegar uma pessoa, e torná-la incapaz de enxergar o belo e, principalmente, o que é belo e triste. E incapaz de dar valor ao trabalho de quem realmente se dedica, dá o sangue e a alma por aquilo que acha digno; e que pode mudar o mundo ou apenas uma vida - a mais importante de todas...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Escriborragia

Estou doente. Estou sofrendo de Escriborragia*.
São outras dores, outras doenças que deixam meu sistema imunológico frágil ao vírus da Escriborragia.
Há males que vêm para o bem. A "Escriboragia" é o resultado positivo de uma equação quase toda negativa.
Como? Não me pergunte. Isso não é sobre matemática.

*palavras que sangram e escorrem pela boca, pelos olhos, pelos poros… pela alma. - Tânia Liberato

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A função principal da arte não é, comumente se imagina, expor ideias, difundir concepções ou servir de exemplo. Mas o objetivo da arte é preparar uma pessoa para a morte, arar e cultivar sua alma, tornando-a capaz de voltar-se para o bem.
Tarkovski

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Se deixar a Dança, sinto falta do meu corpo. Se deixar o Teatro, sinto falta da minha alma. Embora ambos eu faça com corpo e alma.

Karol Rocha

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A última dança



Maravilhoso. Belíssimo filme.
Vai além da beleza da dança, da arte. Mostra a beleza de cada um, como indivíduo. O bailarino como uma pessoa comum - na medida do possível - com sua vida, seus problemas.
Esse filme me fez ver que qualquer profissão, por mais bonita que seja, terá seus problemas, obstáculos, adversidades. E que teremos que passar por isso de alguma maneira.
Nem sempre pensando só em nós mesmos, mas dando ao grupo, e aos amigos, o devido valor.
E principalmente, me mostrou que temos que colocar nossa alma no que fazemos, e fazer com paixão.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Entre muros e pontes

Eu sei que, no fundo, ela é uma pessoa frágil e sensível demais. Mas, para se defender, ela usa de agressividade. Ela age de maneira insuportável com aqueles para quem ela deveria ser a pessoa mais amável do mundo. Mas essa é a vida dela, e não vou seguir seu exemplo.
Ela, ao invés de pontes, construiu muros ao seu redor. Passou tanto tempo construindo seus muros que eles estão cada vez mais difíceis de se quebrar.
Eu tentei quebrá-los com um pequeno martelo que eu pensava ser mágico, mas ela não quis me ajudar - não quis minha ajuda. Seus muros são muito grandes e grossos, e eu sou pequena demais para conseguir quebrá-los sozinha.
Eu queria poder tirá-la de seu castelo feudal, e que ela pegasse minha mão, para passearmos pelas pontes que eu construí. Para eu poder mostrar a ela os lugares maravilhosos que conheci através dessas pontes.
Mas para isso seria preciso que ela quisesse. E ela não quer. Já tentei convencê-la de forma sutil. Mas ela tem medo. Medo do mundo, do que há lá fora - fora de seus muros. Medo do desconhecido.
Por isso, então, ela prefere continuar vivendo em sua prisão. A prisão que ela construiu para si.
Sem mais o que fazer, eu dou meia-volta e avanço sozinha pelas minhas pontes, encontrando novas companhias pelo caminho.
Minhas pontes vão cada vez mais para longe dela.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tempo


Ela é jovem, mas não se engane. Seus olhos sãos profundos e cansados. Seu rosto está marcado pela dor e preocupação. Sua alma está machucada. E só o tempo parece poder curar sua dor - tempo esse que demora a passar, a chegar. Tempo e distância, é o que ela precisa. Tempo e distância para poder, enfim, mergulhar livre e completamente dentro de si mesma. Ela não dispõe disso agora e sente-se tão cansada e fraca. Ela procura com todas as forças que tem conservar seu desejo, sua ânsia de viver. Ela quer deixar de existir e finalmente começar a viver.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Palco

Eu quero ver o brilho nos olhos das pessoas. E quero que elas sintam sua alma dar um... oh - pulo, dentro de seu próprio corpo. Quero que elas vejam a verdade: o horror e a beleza de sua própia vida. A realidade e a fantasia...

Eu sinto falta da coxia.