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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Chocolate e Sweeney Todd


Eu estava vendo o filme Chocolate, na cena em que eles estão no rio e o barco pega fogo, quando meu pai chegou em casa e perguntou o que eu estava vendo.
“Chocolate” eu respondi.
- Eu tô vendo é água, não é chocolate.
- O nome do filme é Chocolate.
Depois que o filme acabou eu coloquei nos Extras e comecei a ver as entrevistas. Eu não tenho culpa se a primeira entrevista era com o Johnny Depp. Meu pai falou:
- Eu não aguento mais ver esse cara. (Não odeiem meu pai, por favor)
- Mas por quê? – eu perguntei.
- Por sua causa, lógico.
- Ah, mas eu nem tô mais vendo Sweeney Todd. Hoje eu queria ver Sweeney Todd, mas aí eu coloquei chocolate.
E meu pai:
- Todd, Chocolate... não é tudo a mesma coisa?

quinta-feira, 5 de maio de 2011


Lar...
E nós estamos juntos
E vamos fazer maravilhas,
Não vamos?

Música: My Friens - Johnny Depp e Helena Bonham Carter (no filme Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet)


Imagem: Accio Ócio!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cooooooorre!!!



Para quem não sabe, no dia 19 de novembro aconteceu a tão esperada estréia do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, sétimo e penúltimo filme da série. Eu nunca esperei tanto por um filme na minha vida.
Combinei com minha prima de irmos ver no dia de estréia, no primeiro horário (12:40), o que quer dizer que teríamos que sair correndo da escola. Nós estudamos em escolas diferentes mas ambas perto de casa (ela é minha vizinha), e saímos no mesmo horário (11:30), o que quer dizer que precisaríamos só nos encontrar em casa e sair correndo para o cinema. Se tivéssemos sorte, chegaríamos em cima da hora.
Chegar em casa da escola e sair correndo para o cinema quer dizer que teria que deixar as coisas prontas no dia anterior. E como eu não poderia lavar o cabelo antes de ir, lavei na noite anterior e fiz uma trança. Fui para a escola com a roupa que eu ia usar, exceto a camiseta da escola, que é obrigatória.
Minha prima falou que naquela sexta-feira não conseguiria se concentrar na escola. Mas comigo não foi bem assim. A primeira aula foi de português, e teve um debate sobre manipulação na TV, que foi muito bom e eu prestei bastante atenção.
Na aula de matemática eu não tive o que fazer porque eu já tinha feito a lição, então fiquei ansiosa, pensando no filme, no livro, e nas noticias que li sobre o filme, no site Somos das Masmorras.
Nas últimas aulas também não tinha o que fazer e eu fiquei só no tédio, sem nem um livro para ler (mas será que eu conseguiria?). Perguntei para uma amiga se eu soltava o cabelo ou deixava com a trança, ela disse para deixar. Era uma trança bonita que eu fiz do lado esquerdo, com algumas mechas soltas, principalmente do lado direito, “milimetricamente desarrumado” como disse o professor de português uma vez sobre o cabelo de um aluno. Eu disse que ia deixar (porque tava bonita mesmo), mas ia acabar soltando, porque não consigo ficar com o cabelo preso muito tempo. Dito e feito, desfiz a trança na metade do filme.
Antes de o sinal tocar eu já estava na porta da sala, esperando, olhando para fora para ver se os outros alunos saíam. Assim que tocou, eu saí direto pro banco, perto da escola, para sacar o dinheiro. Eu só não esperava ter de enfrentar fila... estava pequena, mas só tinha um caixa funcionando.
Sai do banco direto para uma loja onde deixei uma carteira reservada, que eu tinha escolhido no dia anterior. Eu demoro para escolher, então não podia deixar para escolher no dia, e eu realmente precisava de uma.
Fui da loja para uma lanchonete onde comi rapidamente um salgado e um suco, já que eu não teria tempo para almoçar e já estava com muita sede, pois estava um dia quente. Acabei o suco e terminei de comer andando, depressa.
Cheguei em casa correndo, troquei a blusa, escovei os dentes, arrumei os documentos na carteira, peguei minha bolsa e fui chamar minha prima.
“Vamos”
“Deixa eu só trocar o dinheiro”
“Mas já devia estar trocado!” eu falei, fui à casa dela e ela pediu para a mãe trocar o dinheiro. E nós saímos, depois de meio-dia e dez, andando apressadas.
Para ir até o ponto de ônibus nós precisamos descer uma rua que é cruzada no meio por outra, no final da rua vira-se à esquina e o ponto é a alguns passos.
Estávamos andando apressadas comentando a nossa ansiedade pelo filme e o tempo apertado e quando estávamos quase no meio da rua, prestes a atravessar, eu de repente gritei, do nada, “Cooooooorre!!!”, e desci a rua correndo desabalada. A Keyte se assustou e gritou “me espera”, correndo atrás de mim e rindo, e gritei de novo “cooorre”, rindo da minha maluquice. E nós chegamos ao ponto rindo, já tinha duas mulheres lá esperando. Passou um ônibus, mas não era o que nós íamos pegar. E nós continuamos a nos arrumar no ponto de ônibus, passando maquiagem e conversando. Tivemos sorte porque o ônibus só demorou uns 2 minutos. Nós sentamos na frente e terminamos de nos maquiar. (Ah, carteira que eu comprei tem espelho, lógico!)
Passamos pela catraca e esperamos na porta, combinamos de correr assim que a porta abrisse, e ficamos quase grudadas na porta. Assim que o ônibus parou no ponto do Shopping nós saímos e subimos correndo as escadas da entrada e, chegando à porta eu falei “Cheguei primeiro”.
(Mais tarde, andando na frente dela, eu perguntei “Por que eu tô sempre na sua frente?”, e eu mesma respondi “Vai ver é porque eu estou mais ansiosa.” – eu vinha contando os dias para a estréia do filme há meses... “e porque eu venho mais aqui.” Eu vou pouco ao Shopping mas ainda vou mais do que ela (acho), e quase sempre faço o mesmo caminho, para comprar chocolate e ver a livraria, satisfazendo meus dois vícios deliciosos.)
Nós entramos e fomos à primeira escada rolante. Eu nunca subo os degraus da escada rolante, mas é óbvio que desta vez eu não ia deixá-la fazer o trabalho sozinha. Nós subimos correndo, mas no meio da escada havia apenas um casal, e o cara tava segurando o corrimão dos dois lados, tampando a passagem. A Keyte olhou para mim tipo “e agora?”, eu estava na frente, cutuquei o cara e pedi licença, ele tirou o braço rapidamente e nós saímos correndo. O cinema fica no último andar, e para subir a próxima escada rolante teríamos que dar uma voltinha. Mas perto à primeira escada rolante tem uma série de escadas normais que dão voltas para subir aos próximos andares. Eu nunca subo aquelas, se posso evitar, mas olhei para a Keyte e perguntei “vamos por aqui?” e ela concordou. Subimos correndo, por mais que estivesse calor. Demos voltas e voltas e... subimos um andar a mais, então descemos mais rápido do que subimos, e saímos em direção à escada rolante que dava acesso à praça de alimentação, e de lá para a próxima escada que dá acesso aos cinemas.
Quando chegamos não tinha ninguém na fila da bilheteria. Terminamos de comprar os ingressos às 12:39, e a Keyte queria comprar pipoca e refrigerante, mas eu disse que não tinha tempo (Na verdade, eu nunca fiz tanta questão de comer pipoca assistindo filme, eu levei Bis Limão e “droguinha”- um doce chamado alcaçuz – e nós comemos durante o filme). Mas eu estava morrendo de sede, perguntei onde tinha bebedouro e, para meu desespero, era do lado oposto à sala do filme. A Keyte foi para a sala e eu corri para beber água, depois corri para a sala. Havia pouquíssimas pessoas apenas da metade para o fundo da sala, mas eu não vi a Keyte. Procurei-a enquanto passavam os avisos e então me sentei no meio de uma fileira do meio, de onde tinha uma ótima visão e era a primeira fileira ocupada, apenas por dois garotos ao final. Estava perto da entrada e Keyte poderia me ver quando entrasse. Ela perdeu só o comecinho do filme e me viu assim que entrou. Disse que estava espiando a sala onde estava passsando legendado, e estava na cena em que o Fred vê o Harry e a Gina se beijando. Eu narrei pra ela a primeira cena, que era o ministro comunicando à imprensa que são tempos de trevas e blábláblá, mas que o ministério continua forte... e já emenda com a Hermione lendo o jornal no quarto dela na casa dos pais.
Eu fiquei tão feliz de terem adicionado essa cena da Hermione alterando a memória dos pais, ficou tão perfeita, ela sumindo das fotos da família... eu me arrepiei.
Eu e a Keyte falamos o filme todo, baixinho, é claro, comentando cada cena e comparando com o livro – nós duas lemos em julho, e eu reli esse depois que li todos, porque o último livro foi o primeiro que eu li.
Eu não quero falar muito do filme agora porque é muita coisa, mas a primeira vez que eu chorei foi engraçada.
A primeira vez que eu chorei foi depois da briga do Rony com o Harry. É uma cena bem tensa e triste. A Keyte falou “Ah, eu tô quase chorando”, e deu pra ver os olhos dela brilhando, mas ela olhou para mim e eu já estava chorando, e eu ri, ela também.
Nós choramos rios com a morte do Dobby. A cena foi tão linda. Eu não agüentei ele dizendo “Que lugar mais lindo para estar com os amigos... Dobby está feliz por estar com seu amigo... Harry Potter.”

Eu queria ficar no cinema até os créditos acabarem, mas todo mundo saiu logo e a Keyte ficou me apressando, praticamente me arrastou para fora.
A claridade machucou meus olhos chorosos quando saímos, e nós fomos beber água retocar a maquiagem.
Depois eu mostrei a ela uma loja com objetos de decoração em que haviam corujas. Nós entramos na loja e vimos umas pequenas, tinha daquelas com arame para encaixar uma foto e as outras eram só para enfeite. Eu peguei uma e falei “olha que fofa, ta em cima de um livro”, tinha também um diploma na mão e um chapéu. Ela disse “ai, que linda, vamos comprar?” “Vamos. Iguais ou diferentes?” “Iguais”. E nós levamos de lembrança da estréia. Tinha tudo a ver, principalmente porque estava em cima de um livro, e o pergaminho enrolado – eles só usam pergaminho - e o chapéu de formando – em Hogwarts eles se formam no sétimo ano, e embora o trio principal não estivesse em Hogwarts, esse é o sétimo ano.
Quando fomos pagar a moça perguntou “embrulha pra presente?”, eu gostei da idéia e respondi “embrulha”. A moça disse “50 centavos a mais”, minha expressão mudou e eu disse “Ah, então deixa... era pra mim”. Tinha quatro pessoas na loja e todas riram, inclusive eu.
A minha corujinha está dentro do meu guarda-roupa, para meu irmão não inventar de quebrar.
Depois nós fomos à livraria, aos sebos e à biblioteca, e ela ficou com raiva de mim por arrastá-la para tantos lugares, e ameaçou me matar. E completou dizendo "Eu ainda não posso te matar, hoje não. Porque eu não posso ser presa antes de ver a Parte II" e eu respondi "E eu não posso morrer antes do fim."

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tributo

Linda história, lindo vídeo, linda música, lindas falas...


"You're not a bad person! You're a very good person... who bad things happened to."

Você não é uma má pessoa. Você é uma pessoa muito boa a quem coisas ruins aconteceram...

sábado, 12 de junho de 2010

Cena: Ensaio/Improviso (filme A Última Dança)

"O dia que você foi embora foi o dia que eu parei de dançar"

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A última dança



Maravilhoso. Belíssimo filme.
Vai além da beleza da dança, da arte. Mostra a beleza de cada um, como indivíduo. O bailarino como uma pessoa comum - na medida do possível - com sua vida, seus problemas.
Esse filme me fez ver que qualquer profissão, por mais bonita que seja, terá seus problemas, obstáculos, adversidades. E que teremos que passar por isso de alguma maneira.
Nem sempre pensando só em nós mesmos, mas dando ao grupo, e aos amigos, o devido valor.
E principalmente, me mostrou que temos que colocar nossa alma no que fazemos, e fazer com paixão.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Madame Bovary à treize années


música do vídeo: Setting of the Sun, do Ben Jelen


Eu tinha 13 anos, 7 meses e 7 dias quando comecei a ler esse livro, que terminei 18 dias depois - muito tempo para mim. Quanto ao seu conteúdo eu era totalmente inocente. Eu realmente não sabia do que se tratava.
Foi assim que o conheci:
Estava eu, numa tarde qualquer daquele ano, andando tranquilamente a caminho da biblioteca. Chegando lá decidi explorá-la um pouco observando a estante de Literatura Francesa – porque eu acho uma língua charmosíssima, amo Cyrano de Bergerac, etc. Lá eu o vejo. E, interessada no título – simplesmente um nome -, eu o pego.
Um livro de um modelo clássico: páginas amareladas; capa dura azul escura; somente o título e o nome do autor, Gustave Flaubert; atrás, nada. Nenhuma sinopse.
Lendo o título eu tive a impressão de já ter ouvido falar nela, e pensei “Quem foi essa mulher?”. E decidi lê-lo.
Tempos depois fui à biblioteca devolver Matilda. E na quinta-feira, 1° de novembro, eu peguei Madame Bovary. – Até hoje não me conformo em tê-lo pego depois de ler Matilda – tão fofo, tão inocente.
No começo eu não entendi nada, mas não queria desistir. Era como um desafio. Um livro mais sério. Um livro francês, da metade do século XIX, grosso, com um monte de palavras que eu não conhecia e nomes em francês! E, além disso, eu nem sabia do que se tratava! Estava completamente perdida.
Começou em primeira pessoa. Então pensei que seria ele todo assim, ou até mesmo um diário, escrito pela própria Madame Bovary. Mas começou a contar a história de Charles Bovary e seus pais, o que me fez pensar que a tal seria a mãe dele. Só que de tanto falar no Charles eu pensei que ele ia virar travesti e seria ele mesmo a protagonista. (Mas foi só uma hipótese, uma idéia súbita – e absurda – que me veio à cabeça.)
Ele conheceu uma moça linda e meiga chamada Emma e casou-se com ela. A protagonista finalmente apareceu! O começo do casamento foi ótimo. Mas depois… ela caiu nas garras do tédio e eles viviam na rotina. (Bom, minha vida também estava um tédio, e por isso estava lendo!)
Eu logo percebi que ela precisava de um novo amor. Com o Charles não tava mais dando! Coitada, tão solitária e infeliz. Só achava companhia nos livros que lia. E o pior é que o marido ainda achava que ela era feliz! Ele sorria observando-a e pensava que, mesmo sem ele fazer nada, ela era feliz!
Ele agora a beijava em horas certas – algo como tomar banho ou escovar os dentes: quando saía para trabalhar e na hora de dormir!

Depois de uma prova sobre Romeu e Julieta na última aula encontrei a Catia, minha professora de História, na entrada da quadra, e fiquei conversando com ela. E, na mais pura inocência, disse que estava lendo Madame Bovary. Ao que ela logo respondeu: “Ah, Bovary é sem-vergonha!” Detalhe: ela nem disse madame.
Meu queixo caiu. Fiquei sem palavras. Congelei. Ela percebeu que eu não sabia o que dizer e falou: “Ela saía com todo mundo, não é?” Eu respondi não. (Eu tinha que defender a personagem que estava lendo!) “É sim”, ela retrucou. E eu tive que concordar: “mais ou menos”. Ela ainda acrescentou: “Pra época dela, ela era uma biscate!”
!
Ela disse aquilo com tanta tranqüilidade. Eu pensei “Mas ela ainda não traiu ele. Até onde eu li.” Mas o papo-Madame-Bovary tinha acabado ali. E ela o encerrou em grande estilo.
Fui para casa sorrindo, ainda surpresa. “Ela disse que Madame Bovary é sem-vergonha!”, pensava eu. E na tarde daquele mesmo dia, lendo no sofá da sala, sozinha, cheguei a uma frase que dizia “…e ela entregou-se.” Fiquei inquieta. “Como assim ‘ela se entregou’? Em que sentido? Quer dizer que ela desabafou, disse como era infeliz no casamento, chorou… Ou se entregou… no sentido sexual da coisa?”
Como eu não tinha certeza de nada, resolvi parar de pensar e continuar lendo. Conclusão? Ela fez amor com ele. Ah, o nome dele era Rodolphe. Aconteceu num passeio a cavalo, certamente num lindo bosque. Ele a seduziu e ela se entregou.

No dia seguinte perguntei à Susana, minha ex-professora de Português, se ela já o tinha lido. Ela disse que era… - ela estava procurando uma palavra para defini-lo – imoral para a época. E era. Tanto que foi processado por ofensa à moral pública e religiosa e aos bons costumes. Que não deu em nada. Pelo contrário, deixou o autor mais famoso.
E o Rodolphe, o que ele estava pensando! “Com duas ou três palavras de galanteio ela será posse adorável.” Isso é coisa que se pense a respeito de uma mulher? Ainda mais casada, no século XIX? (Tudo bem que ele estava certo, mas mesmo assim) “Eu adoro mulheres pálidas”… Posso te garantir que ela não ficava mais pálida quando estava com ele.
Foi muito bom, mas acabou. Eles iam fugir e ele a abandonou. Ela estava realmente apaixonada. Ficou doente, foi horrível. E depois que se salvou virou até religiosa. E, por conta disso, hesitou em se envolver num terceiro relacionamento. Até porque agora ela era mais velha. – Até parece que ela não dava conta do recado!
Aconteceu algum tempo depois do Rodolphe. Ela reencontrou um amigo que, ela sabia, fora apaixonado por ela. Era Léon. E, depois que eles se entenderam, ela passou a ir à cidade onde ele morava uma vez por semana com a desculpa de fazer aulas de dança!
Ela curtiu, se apaixonou. Foi feliz. Novamente. Mas se cansou dele também. Agora fazia aquilo quase que ‘por obrigação’. E ele também estava cansado. Mas eles continuaram.
Ela e o marido estavam endividados, ela achou uma solução simples para se livrar.
Depois disso, o Charles encontrou as cartas que ela trocava com o amante e pensou, desolado: “Amaram-se platonicamente talvez” O que eu pensei? “Ah, claro. Amaram-se muito platonicamente.” E minha árdua leitura chegou ao fim. O que não quer dizer que isto termina aqui.

Quando fui devolver… mais uma vez fui surpreendida por alguém que já o tinha lido. Mário, o bibliotecário. Eu entrei e coloquei o livro sobre a mesa. Ele pegou, olhou para mim e perguntou: “Quem leu esse livro?” Não entendi o porquê da pergunta e respondi simplesmente ‘eu’. Ele me perguntou: “Você não achou meio pesado?” Respondi timidamente que não. (Eu não queria mentir. Mas não estava nem um pouco a fim de relatar minhas impressões sobre esse livro a uma pessoa que eu nem conhecia direito. – Nada pessoal.)
Mas ele continuou: “Um tanto indecente, picante, maçante?” Eu continuei totalmente sem-graça e respondi novamente que não. – Eu não consegui mudar de idéia como eu fiz com a Catia. – Ele me devolveu a carteirinha e finalmente me deixou em paz.
E na última quinta-feira de aula eu fiquei conversando com a Catia. Disse que tinha terminado o livro e dei minha conclusão: ela nunca seria feliz. – os românticos que me desculpem, mas não fui eu quem escreveu o livro. – E a Catia ainda teve a coragem de repetir aquilo! “Ela era uma biscatinha.” - disse ela, sorrindo. – e agora no diminutivo!
Contei também sobre o interrogatório na biblioteca. E ela me ajudou perfeitamente: “Mas não era nada… que você não conhecesse” – Exatamente! Não é nada de outro mundo. Faz parte da história da humanidade.
E depois de tudo isso eu me perguntei “Quem, da minha idade, já leu Madame Bovary?” ou “Quem leu Madame Bovary quando tinha 13 anos de idade?” Fiquei orgulhosa de mim.