segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Escrever é libertador, mas pode ser perigoso também. Não só quando o leitor confunde eu-lírico com autor.

Sempre fui uma pessoa discreta, e também já fui mais tímida. Muitas vezes me senti invisível. Agora, no entanto, sinto-me transparente. Será possível que seja tão óbvio?

So close and so far

My eyes meet your eyes
Our hands hold each other sometimes
And although I like the way you speak
Why are our mouths so far from each other?
Why can't our lips also meet?
To post or not to post. That is the question.

domingo, 28 de outubro de 2012

Longa Estrada


Sonhei com essa estrada umas três ou quatro vezes.  Nem sempre eu via as mesmas coisas, mas sabia que é a mesma, ela é muito longa, levam-se horas para chegar ao fim. Das primeiras vezes eusó pensei “De novo essa estrada? Por que será?”.E não pensava no que poderia significar.
É uma espécie de trilha, e a paisagem é linda, muitas árvores, vez ou outra um riacho, e pedras. Na estrada, declives, inclinações, passagens traiçoeiras, vários lugares fáceis de escorregar e cair; obstáculos, muitas curvas. Era uma estrada que levava para cima, devagar e difícil de subir – poucas pessoas se aventuravam–, e quanto mais alto, mais fácil era tropeçar e cair.
Mesmo sendo um sonho, eu não sei como não me cansei. Eu não vi o tempo passar, mas sei que foram horas. E eu não me lembro de ter passado por dificuldades. Era preciso manter o equilíbrio durante todo o percurso, e eu mantive.
Quando se chegava ao topo, a paisagem era maravilhosa. O espaço no ponto mais alto era pequeno (facílimo de alguém se jogar/cair dali e morrer), mas a vista era enorme, diferente de poucos metros atrás, onde é mais baixo.E é triste quando uma pessoa chega perto do fim e percebe que falta pouco, e não tem mais para onde ir, e que terá de voltar de qualquer maneira. Então, morto de cansaço, não dá aqueles últimos passos, mas simplesmente vira as costas e volta, pensando que o passeio não valeu a pena. Deixou o melhor para trás, não sabe o que perdeu. Eu estive lá, e aproveitei a paz que ali reina.

P.s.: Esse sonho é do ano passado, mas eu não tinha escrito como gostaria.


sábado, 27 de outubro de 2012

Why do you hate me this much?
It’s not my fault.
I never asked for this – I couldn’t ask anything.
But I am here, can’t you just deal with it?
Yes, I’m still here. I don’t want to, but I am. It’s not so easy.
I try to help but you never listen to me.
You treat me like I was nothing.
I don’t need you for anything.
I don’t need you to make me worse. To make feel a victim, or a monster.
I’m always better when I’m without you.
Nothing hurts me more than you do.
I’m tired.
I’m so, so tired.
I’m only wasting my time, my life with you.
I don’t even want to say with you. We’re not together. And it’s been a long time.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sou meu desconhecido


É verdade que quase não conhecemos as pessoas. Aliás, nos conhecemos muito pouco. Como já disse Clarice Lispector, “Sou meu desconhecido” – e se ela disse, quem sou eu para discordar. Nós nos descobrimos e redescobrimos ao longo da vida. Mas até que ponto uma pessoa se reconhece?
Qualquer um pode se identificar com um texto, um personagem, um autor. Pensar “oh, meu Deus, achei que eu fosse o único que pensasse assim”.  Ou que aquilo que está lendo se encaixa perfeitamente com algum momento de sua vida.
Mas, e quando alguém que você conhece escreve algo sobre você (sem dizer seu nome), você seria capaz de reconhecer? Se for algo que você vivenciou com a pessoa, algo que você disse ou fez, provavelmente sim, correto? Mas e quando não é tão óbvio? Você seria capaz de identificar se aquilo é ou não para você, ou nem sequer pensaria nisso?
Digo isso não só porque escrevo (felizmente, minhas inspirações não são todas de carne e osso), mas também porque, surpreendentemente, já escreveram sobre mim. Eu nunca pensei que alguém pudesse me descrever como “delicada como a rosa, misteriosa como o vento”. Pois é, eu não me reconheci. Mas adorei, foi meu momento musa (não me leve a mal). Se eu tivesse apenas lido em algum lugar, jamais pensaria “eu sou assim”, “isso é pra mim”. Eu provavelmente pensaria “como eu gostaria de ser assim”, porque eu não me vejo dessa forma (bem, não exatamente), e não pensei que alguém pudesse me ver assim.
Curiosamente, isso se encaixa perfeitamente com a imagem que eu tinha de uma amiga minha (nós já éramos amigas ou eu queria ser amiga dela? Enfim...) Uma garota mais quieta do que eu e muito inteligente. Eu a via assim, embora não tivesse formado essas palavras, e não sabia que eu era assim também.
Se me dissessem “escrevi algo sobre você” ou “para você” eu ficaria no mínimo, no mínimo curiosa.No livro Marina, de Carlos Ruiz Zafón, Marina confessa a Óscar que está escrevendo sobre ele. Óscar fica completamente assustado.
- Sobre mim? O que quer dizer com escrever sobre mim?
- Quer dizer a seu respeito, não em cima de você, como se fosse uma escrivaninha.
- Até aí eu também cheguei.
Marina se divertia com aquele nervosismo repentino.
- E então? – perguntou. – Faz uma ideia tão ruim de si mesmo que não pode aceitar que valha a pena escrever a seu respeito? (p.50)
Bem, talvez ele não fizesse uma ideia tão ruim de si mesmo. Provavelmente ele só não imaginava o que ela poderia ver de bom nele. Também não duvido que ele preferisse ser feito de escrivaninha – momentaneamente, pelo menos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

No Light, No Light - Florence + The Machine


"You are the hole in my head
You are the space in my bed
You are the silence in between
What I thought and what I said"

"You're my head, you're my heart"

One of my favorites

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Teus cascos, meus cacos

Estou totalmente perdida, desconstruída, despedaçada. Tropeço e me quebro e todos os pedaços de mim se perdem e se juntam numa mistura de tudo e nada. E eu não sei o que surge dessa mistura... às vezes coisas assim, como isso. Palavras, às vezes elaboradas, organizadas, outras desconexas... Às vezes parece que isso é tudo o que me resta, palavras... E mesmo assim elas ainda me faltam. Infiéis.
Eu me construo a partir da quebra. Me levanto a partir da queda. Mas estou no chão. Vou me levantar uma vez mais, mas por quanto tempo? Por quanto tempo você permitirá que eu esteja de pé? Só enquanto eu não estiver ao seu alcance, não é mesmo?
Quando foi que você passou a não me suportar mais? Quando eu deixei de ser importante? Que besteira a minha... eu nunca fui. Tudo se desmorona e eu me vejo enterrada em escombros.

sábado, 13 de outubro de 2012


Perguntaram-me por que eu coloquei o símbolo das Relíquias da Morte como foto de perfil no blog.
Aquele momento que as razões são tantas que a gente não sabe o que responder...
Então, senta que a história é longa.
11 anos depois...

sábado, 6 de outubro de 2012

I’m in love with my best friend

- I’m in love with my best friend. - Hermione says after kissing him.
- Isn’t Harry your best friend? – asks Ron, smiling.
- He is, indeed. He’s more than a friend… He’s like a brother. You’re my best friend too. And you’re more than a friend, when we really mean “more than a friend”. This is odd, because I always liked your family, but I don’t feel like your sister.
- You’ve been part of this family, already. But now you are officially. And you can stay… forever, if you want.
Hermione’s eyes glisten. Ron runs his hand down her face.
- Hermione… will you… Will you be my wife, when things are calmer?
- Ron…
- Well, if, if you don’t want…
She puts her hand on his lips.
- I do. I will.
Ron looks at her with a sincere smile. And then, kiss his best friend once more.

Originally posted on: http://rowlingsgotthelove.tumblr.com/post/12790155431/im-in-love-with-my-best-friend

PS: Eu deveria ter postado isso aqui há muito tempo, mesmo estando em Inglês. Me desculpe.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Keyte: Eu preciso ler mais, e escrever mais.
Eu: Eu preciso escrever mais (blog)... e ler mais (porque, né... muito trabalho)

Eu começo a rir. Eu não pretendia repetir as palavras dela.
- Eu mudei muito o que você disse, hein?
- Oh, nossa...
Eu não sei o que é melhor, o "maravilhoso" ou as reticências.
You torture me with the pleasure of your presence. I can't stop thinking about you. I can't stop willing to be with you. The seconds, just the seconds I stay in your eyes are precious.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tell me your thoughts. Cause you have mine.
Yes, you. I'll be waiting.
"Feliz a pessoa pra quem você escreveu isso."
Oh
Essa eu não esperava.
Mas que ótimo ouvir isso. De verdade.

Veja que nenhum nome foi citado

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

As pessoas realmente não sabem o quanto pequenos gestos ou umas poucas palavras podem fazer a diferença.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Época de eleição é aquela época em que as músicas ruins ficam ainda piores. Mais barulhentas e intrusas.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre as Nuvens


Lia olhava fixamente para o teto naquela madrugada de quarta-feira.  Havia acordado mais cedo que o normal, tivera um sonho estranho e muito bonito. No sonho ela estava cavalgando. Isso por si só não era estranho. Mas ela estava cavalgando no ar.  E o cavalo puxava um balão. No balão, um casal de bailarinos dançava.
Ela apreciava a cavalgada aérea, a paisagem, o vento, sentindo-se completamente livre e feliz. Por vezes olhava para trás para espiar os bailarinos dançando. E depois de certo tempo, à altura em que estavam, a dança era o que estava mais perto dela e era a única coisa que ela poderia observar com atenção. Então Lia decidiu virar-se de costas no cavalo e se deitar sobre ele, apoiando a cabeça em seu pescoço.
Era de se esperar que ela caísse com o balanço da cavalgada, estando deitada e sem nada para segurar firmemente, mas havia um equilíbrio surreal que a impedia de se preocupar com uma possível queda. E ela sempre confiara em cavalos, embora não ficasse tão solta a ponto de se deitar sobre eles enquanto eles correm.
Deitou-se sobre o cavalo como se deitasse sobre um divã, mas não se enganava, acariciava-o sorridente enquanto os observava. O casal dançava lindamente. Penduravam-se pelas bordas, giravam, moviam-se livremente, apesar do pouco espaço. E a dança estava cada vez mais bonita e mais intensa. Eles se olhavam fixamente e dançavam com paixão. Parecia que um só cérebro comandava aquela dança, tão sincronizado era o improviso. Mesmo quando fechavam os olhos.
Lia estava cada vez mais admirada e emocionada. Foram poucos os espetáculos que a fizeram devorar uma cena assim com tanta voracidade. Ela sentia que era uma parte dela que estava ali, e a queria de volta. Queria estar ali. Queria dançar com eles. Queria dançar como eles. Queria alcançar aquela flexibilidade que, somada à força, a permitiria fazer o que quisesse com o seu corpo. E poderia estar nas nuvens, estando onde estivesse.
Chegou um certo ponto em que os movimentos um do outro se completavam tão perfeitamente e seus corpos estavam de tal forma unidos que eles se transformaram, fundindo-se num só corpo. E este novo ser estava de pé, olhando fixamente para Lia, deixando-a sem ar.
Lia acordou, embora não quisesse. Não tinha sido um pesadelo. E ela queria conhecê-lo. Afinal, o que ele era? Ela queria saber se tinha doído transformar-se em um só.
Ela pensou na dança. “É assim que se deve dançar. Os bailarinos devem ter entrosamento. Para ser perfeito, eles devem dançar como se fossem um só.” Ela pensou, “Aliás, o amor também deveria ser assim.”
A essa hora o quarto estava sendo inundado por uma luz alaranjada. O sol estava nascendo. Lia decidiu que era um bom momento para sair e ver esse espetáculo. Sua cama não era a única que a chamava.
Lá fora ela tentou fazer com que a luz solar clareasse mais os seus pensamentos. Tentou se lembrar do rosto do bailarino, o resultado final. Era uma mistura, ela não sabia. Tentou se lembrar da cor dos olhos, que a fitaram com tanta intensidade. Não conseguiu.
Lembrou-se da cor dos cabelos. Eram pretos. Destacavam-se na claridade do céu, das nuvens, da pele. Eram também lisos e volumosos, indo até um pouco acima dos ombros. E, ironicamente, era a única coisa que via com clareza.
Olhando para o céu, ela se lembrou da sensação que era voar em cima de um cavalo. Curiosamente, ela não sonhou com um cavalo alado. “Cavalgar também é bom.”, pensou. E, como a terra era o que ela tinha no momento, resolveu visitar Roxy, a égua que tinha ganhado de sua avó em seu aniversário de 16 anos, e chama-la para uma cavalgada. Estavam juntas há quase dois anos agora.
Lia cumprimentou Roxy acariciando seu pescoço e dando-lhe um beijo no topo da cabeça, que a égua tinha abaixado para cumprimenta-la. “Vamos dar uma volta, minha pequena?”, Lia chamou, embora ela fosse pequena, e não a égua.
Enquanto preparava sua égua para a cavalgada, ela dizia “Tive um sonho lindo hoje, Roxy... Você nunca me deixou cair não é mesmo?”.
“É uma boa égua, mas você sempre cavalgou muito bem.” Lia se virou assustada pela voz. Ela achou que fosse a única com duas pernas ali naquele instante. E quando se virou, ela viu... Um par de olhos – obviamente acompanhados de um corpo, mas ela se fixou nos olhos – que olhavam bem dentro dos seus. E Lia pôde ver a cor deles, que oscilava entre azul e cinza. E ela se lembrou das nuvens, embora as do sonho estivem brancas, e lembrou-se do azul do céu, lá no alto...
Os cabelos não eram negros como os do bailarino (e também como os dela mesma). Aliás, ela sabia, nem era um bailarino que estava ali. Não era um bailarino, mas com certeza era alguém que poderia dançar com ela. Talvez não ali. Talvez não naquele momento. Mas seria fascinante. Como cavalgar sobre as nuvens.
"Simplesmente escreva, não tenha escrúpulos nas palavras, elas são tuas."

Suspeitei desde o princípio...